
A voz saindo pela boca
Um jeito
Vezes certo
Vezes erro
Vezes meigo
Vezes grito
Adeus
Saudade e desespero
A canção do que foram os erros
Mas depois de um tempo
Quando a boca se fecha
A voz estacionada no peito
Feito Raul de Souza soprando algum triste contentamento
Será que nessa hora vamos nos perdoar de nós mesmos?
Hã?
domingo, 30 de novembro de 2008
HÃ?
Postado por
Beto Renzo
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23:18
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quinta-feira, 13 de novembro de 2008
JÁ FOI?
A multidão vem em ondas
Uma maré que sobe a cada metrô
E desemboca na Sete de Abril com a Ipiranga
Sim
Alguma coisa acontece no meu coração
E é desde oitenta quatro
Quando, em coro, a nação cantava sua automedicação
Sem saber que direta era só a queda
Para o sono que viria então
A culpa é daquele
É do fulano
É do vizinho
Do outro
De alguém que existe só na nossa imaginação
Dorme
Entre um engarrafamento e um escândalo
Entre a violência e a novela dos oito
Entre um carnaval e outro
Uma copa do mundo
Bela merda
Que a gente exibe com excitação
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Beto Renzo
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12:51
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quarta-feira, 5 de novembro de 2008
DESMONTADO
Desceu a última gota de dor
Do espasmo amanheci com o sol
Um perdão tataravô me acertou
Olá... Olá... Olá...
Deixei os dois no vão
Os dois parados no céu
Os dois parados na rua
Mas foi só na lua que meu olhar se aquietou
Quando minha alma bandeou pro meu lado
E voltou pra casa
E isso foi ontem
Foi já
E depois, e depois...
Desceu a última gota de dor
Da ilusão de achar que havia um lugar em teu peito
Pra amontoar o meu
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Beto Renzo
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16:42
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terça-feira, 21 de outubro de 2008
COMO VOCÊ PRETENDE ME VISITAR
E você finge que nem entende
Hoje ou amanhã
No século seguinte
Há de ter a tua hora de não saber onde eu fui parar
O que pra você é viver?
O que pra mim é um pesadelo?
Sei que você vai então se entorpecer com um pouco mais de televisão
Eu já vou
E você finge me esperar pro fim de semana
Hoje ou amanhã
No dia que o céu despencar
Há de ser vã a tua coleção de cartões de crédito
O que pra você é um bem?
O que pra você faz bem?
Respirar não é um estilingue que nos arremessa através dos calendários
A gente pode se tratar melhor
Olha que a gente pode se tratar melhor
Se não como você pretende um dia me visitar?
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Beto Renzo
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17:29
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terça-feira, 14 de outubro de 2008
PUTEIRO
No grisalho dos olhos
Na lágrima
Onde se conectam a fala e as outras intenções
As resoluções da pobreza humana
E as soluções prospectadas
A massa sonolenta
Malditos marqueteiros
Malditos sonolentos
Não enxergam que é tudo mentira
Bem ali
Na musiquinha que nos visita a cada quatro anos
Fantoches vampirescos e suas três mães putas
A mídia
Essa justiça moribunda
A falta de vergonha
E passeamos ledos por essa merda toda
Tendo que escolher um desses filhos da puta
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Beto Renzo
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01:02
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sexta-feira, 10 de outubro de 2008
ESCORREU
Um barulho de tênis amolando sua sola
Um silêncio que perturba aquilo que não se acorda
E depois vai deitar
Me esquecer num canto qualquer da casa
Quando, de olhar o mundo, eu fiquei entediado
O coração morno batendo travado
Foi você aos meus olhos se mostrar
E quando estes ao coração te apontaram
De entediado ficou folião
E se mostrou feito o sorriso do sol
Num primeiro dia de verão
Mas passeia
E agora?
O desespero se afoga
Na louça que a gente lava quando chega a tarde
E no reflexo isso que me indaga
Será que foi só a água que escorreu e foi embora?
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Beto Renzo
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11:37
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terça-feira, 30 de setembro de 2008
DIFÍCIL
Num filme
Num ponto de ônibus
Na conversa do pai
Nas costas que se distanciam dizendo olá quando alguém se vai
O difícil de ser gente é perdoar
Perdoar os outros
Perdoar os bolos
Os bobos
O difícil de ser gente é perdoar a gente
E seguir pra lá
Pra lá
Num botequim
Num escritório
No sermão do padre
No vazio que ocupa o espaço de alguém que não vai voltar
O difícil de ser gente é perdoar
Perdoar os tombos
Perdoar o jeito
Os medrosos
O difícil de ser gente é perdoar a gente
E seguir pra lá
Pra lá
É ver o que achamos que é nosso se afastar
E erguermos o braço acenando boa viagem
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Beto Renzo
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04:28
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sexta-feira, 12 de setembro de 2008
...ALGUÉM DANÇAVA
Fui pra encontrar o Glau e, antes de percebê-lo por lá, um som me cumprimentou primeiro. Eu não sabia... gente se movendo num ar morno de tanto usado.
Quando vi, de surpresa, estava lá rodopiando em volta do meu corpo... não as pessoas que se sacudiam mas o som.
Música... o comprimido que me faz agüentar todas as besteiras que espalhamos pelo mundo.
A saída que eu pego pra seguir na contra mão disso tudo e agüentar esse planeta.
E eu sou um dançarino... me acabo de dançar. Não com o corpo mas com o peito.
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Beto Renzo
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18:32
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