segunda-feira, 15 de junho de 2015

Ípsilon

É que a moda agora é ser retrô
Faz cara de nojo quando o céu é azul
Faz o discurso de ontem e de nunca
No self a vida é cool
No self a vida é cool

Debate a arte que tem mercado
Gasta sempre as mesmas palavras
Gasta o café num papo primário
E se Van Gogh fosse tatuado?
Ah, se Van Gogh fosse tatuado

Ípsilon
Ah, ípsilon
Que peninha de você
Que peninha de você
Que bobinho que é você

É que a moda agora é ser único
Comprou a idéia pra não sumir na multidão
Mostrou a carteirinha e pagou meia
Agora tem toda a atenção
Agora tem toda a atenção

Ípsilon
Ah, ípsilon
Que peninha de você
Que peninha de você

Que bobinho que é você

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Programação

Diz que é a flor do momento
Santa que é quase gênio
Estrela abaixo do firmamento
Sorri peróxido de hidrogênio


Rebola a moda insossa
Nenhuma luz em sua prosa
É enjoada a moça
Faz cara mas nunca goza


Eita coisa mais boba
Eita coisa mais tola
Prefiro Bossa Nova
O Punk ou bater uma bola


Faz bico pra sair na foto
Ensaia o passo o ano inteiro
Nenhuma lágrima ou luto
Nenhuma marcha em fevereiro


Eita coisa mais besta
Eita coisa mais tonta
Prefiro João e Maria
Dylan ou Nirvana

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Agarrados

Adeus Amor
Direi amanhã que fui sonhar
Nós dois agarrados por aí
Fez sol e chuva quando eu quis te olhar
Éramos dois teimosos por aí

Adeus Amor
A procissão vem me buscar
Pra duvidar da solidão
Eu fui alegria que quis te acompanhar
E os cacos do santo pelo chão

As velas e a prece da multidão
As noites de São João
Os risos soltos sem preocupação
Minhas noites de São João

Adeus Amor
Teu sono chega e tenho insônia
A noite o peito fica foda
Os jornais e as verdades de amônia
Sinto saudade é do Roda

As frases postas à minha contramão
Minhas noites de São João
A lua feliz com a minha confusão
Minhas noites de São João

Espera Amor
Eu vou chegar com um presente
Desembrulhar meu coração
Fechei meus olhos pra olhar mais adiante
Enfim o amor é algo bom

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Cuidado

Cuidado
Vão falar de você
Do teu jeito alegre
Ou calado
Da tua descrença no que está posto
Teu cabelo bagunçado

Vão cobrar o teu choro
Vão zombar do teu riso
Vão dizer que pra dormir basta fechar os olhos
Cuidado

Cuidado
Vão falar de você
Do teu jeito tão sério
Ou ébrio
Do resto de cachaça no teu copo
Teu coração bagunçado

Vão pisar nos teus calos
Vão beijar os teus monstros
Vão dizer que é errado ser tão você assim
Cuidado

Cuidado
Vão falar de você
Dessa tua teimosia
Ou paz
Da tua certeza tranquila em não querer
Em não pagar um centavo
Pela vida que vendem nesse estranho supermercado
Cuidado

sexta-feira, 6 de março de 2015

Bola

Hoje não sei rimar e nem dou bola
Não canto calmo e nem me emociona
Não toco Bossa Nova e nem sou foda
Hoje não… sai fora.

Hoje não é lágrima e nem carnaval
Não é desafinado e nem construção
Não tem saudade nem tem perdão
Hoje não… hoje não… sai fora

Há uma parte em mim que sufoca
É tanto acorde atrás da porta
Eu gosto tanto mas isso me arranca a alma
Cutuca a dor

E hoje a minha dor não quer me dar bola

quarta-feira, 4 de março de 2015

Roberto

Roberto, teus olhos se perdem
No teu céu secreto
Teus passos me escapam
Teus sonhos se escondem

Onde é que guarda a tua alegria?
Tua calma secular?
O portão da tua alma?
Onde nascem as tuas palavras?

Mais tarde ali quando lembrarem de ti
Vai ventar a saudade e uma lágrima
E a vontade de sorrir

Roberto, eu deixei meu retrato
No teu sono tranquilo
Me dê aquele teu abraço
Passeie comigo

Mais tarde ali quando cuidares de mim
Vou contar a você o segredo:
Pai, eu sou doido por ti

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Estrada (Pé descalço)

Fui até lá
Desci a rua
Pulei o muro do quintal fundo da tua alma
Usei tua roupa
Fucei em teu quarto
Ah que aperto, ah que saudade
Não ver você
Não ver você

Senti teu ar
Imitei tua pele
Vesti teu riso mas a piada era sem graça
Você sabia me arrancar uma bela gargalhada

Você sabia de mim e também da minha estrada
Você sabia de mim
Você era a minha estrada

Fui até lá
Desci uns anos
Rompi o muro da gravata que me apertava
Vesti teus olhos
Fucei em teu peito
Ah que alívio, ah que alento
Eu vi você
Eu vi você

Puxei teu ar
Senti teu sono
Cobri a cidade com as tuas aventuras
Eu mudei mas você nunca foi embora

Eu cresci sem te avisar de nada
Mas você nunca foi embora

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Gibi

Engraçado
Numa insônia me vem você
Os muros que a gente saltou
As rosas que a gente roubou... que a gente espalhou pelas varandas
Amanhã seria hoje
Hoje seria sempre
Seria a gente discutindo o imponderável dos nossos gibis

Engraçado
Numa saudade me vem você
A riso agudo  que me voltou
As piadas que a gente contou… que a gente inventou nas madrugadas
Amanhã seria agora
Agora seria sempre
Seria a gente entrando na festa sem sermos convidados

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Uma música

Eu nem sei
É meu jeito
Meu defeito
Ou medo
Ou espanto
Ou costume

Eu nem sei
É minha jura
Minha loucura
Ou desvio
Ou amargura
Ou solidão

Você vai por aí sem saber
O que eu sinto
O que eu penso
A saudade que nunca confesso

Lá em casa
Depois de um tempo
Só você não notou
Desde o dia
Desde você
Uma música do Legião foi a mais tocou

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Lá no fundo

Vendia um afago
Depois lavava a mão com detergente
A pele lisa de qualquer cicatriz
O peito intacto de qualquer paixão doente

Fervia a água
Bebia só duas xícaras de café por dia
A cama pronta na marca das oito
O sono isento de qualquer doce rebeldia

Mas lá no fundo um coração
E ele nem sabia
Que lá no fundo um coração fazia seus planos
Dos sonos perdidos
Dos porres e risos
Dos desencontros
Do amor doído
Dos amigos bobos e lindos

Tramava os tombos
Tramava as voltas por cima
A solidão dos poemas
A multidão das piadas
A confusão da existência
A Alma
A Alma
A Alma