Assim sem avisar
Junto do dia
Quando calmo e certo o sol subia
Ela escolheu o medo
Recolheu sua folia
E do fundo do meu peito resolveu se mudar
Onde não há viver
Onde não há descanso no doer
Segue a gente
Miúdos pelo mundo
Nossos corpos separados
Nossas almas agarradas... tristes e cheias de tudo
Deve haver mais ar
Deve haver mais céu
Pra que eu possa voar e deixar de ser teu
Ou então
Tens de ter mais coragem
Tens de ser mais mulher
E não me perder pra uma outra qualquer
quarta-feira, 17 de junho de 2009
OUTRA QUALQUER
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Beto Renzo
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18:09
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quarta-feira, 3 de junho de 2009
O TEMPO QUE LEVA PRA ISSO
Faço agora sem adorno nos gestos
Do quente do café que toca a boca
O calor trocado
O canto lacrado
Dos loucos que percorrem soltos
A madrugada que os arranca da forca
E assim passa o mundo
Esse cinema no olhar
O coração grita no fundo
A quietude do mar
O rosto rijo na fila
A dor contida dentro do terno
O vazio do que a TV fala
As línguas de inverno
A paciência da flor
A timidez de um amor
Que passeia dentro da gente
Sem a chave da porta que mantemos fechada
Faço agora sem cores de fogo
Da imensidão deste meu peito
Um olhar desperto
Um quarto secreto
Onde se estende sem fôlego
A fotografia do meu afeto
E assim muda o mundo
Esse pincel no olhar
O amor dorme no fundo
A paciência do mar
E lá se vão as montanhas
Em grão de areia se transformar
Fica então a saudade sem relógio
Que não sabe que já passou da hora de se calar
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Beto Renzo
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18:37
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quarta-feira, 20 de maio de 2009
AQUI AINDA É NOITE
Perca o véu dessa correria louca
Vista nada
Olha o céu
A garoa está solta
Nem faça do tempo a desculpa
Pra você partir assim
Lá fora o trânsito
O túnel alagado
O metrô lotado
Aqui dentro é você agarrada a mim
Não vá mais
Perca-se nos cômodos do meu peito
Vista calma
Corte os nós
Nesse vazio dê um jeito
Nem faço da culpa a desculpa
Pra desistir assim
Lá fora o dia
O dia
O dia
Aqui dentro a noite só sai de casa
Quando está acompanhada de mim
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Beto Renzo
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13:45
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segunda-feira, 18 de maio de 2009
COM CALMA E UM SORRISO
Estranho
Da vontade de chorar veio a paz
Do lamento veio o silêncio
Quem define até que ponto da estrada a dor nos acompanha se não nós mesmos?
Veio
Um presente invisível
Um perfume rarefeito
E respirei tão fundo
Que até minha alma ficou perfumada
Veio então a hora do vento
Do tempo soar o fim da festa
E duma fresta de olhar
Eu assisti
Eu ainda assisto
Ao longe
Esse presente me acenar
Veio
Um incêndio invisível
Um fogo feito aconchego
E larguei-me tão fundo
Que o meu coração ainda queima
Com calma e um sorriso
Dia após dia
Século após século...
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Beto Renzo
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22:15
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quinta-feira, 14 de maio de 2009
VOCÊ VAI EU FICO
Você sai bem de manhã
Me sobra o jornal
E algo bobo na tv que eu deixo sem som
E agora?
E quando voltar?
Terá outra cor de esmalte nas unhas?
Cabelo solto...
Eu preso no teu passear pelo apartamento
Você sai bem de manhã
Me sobra uma criança no peito que reclama:Que chato trabalhar! Quero brincar...
E agora?
E quando você chegar?
Faço da minha alma o meu país
Do meu olhar o meu exército
Pra você pensar que há algo mais em mim a conquistar
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Beto Renzo
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16:06
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terça-feira, 21 de abril de 2009
MACHUCADO
Vá logo bem pra lá
Anestesiar o teu coração com a razão dos duros
Dos covardes
Abanar o machucado que deixei em você
E que ainda não confessa
Que sou eu quem você quer pra assoprar
Vá logo bem pra lá
Balançar a cabeça dizendo que um novo chegou
Que a paixão te ganhou
E mesmo os dias à tua frente serão mensageiros meus
Dizendo a você pra me procurar
Pois saudade tamanha
É sombra do amor que levas pra lá e pra cá
Eu nem sei mais de você
Tenho que te esquecer
Vou inventar outro alguém pra anestesiar o meu peito
Hoje duro e covarde
Avisar teus sentidos que me socorras do abismo
Que é viver sem você
Finjo te esquecer
Finjo que somos amigos
E o que está no fundo de mim eu sufoco comigo
Pra te dar um pouco de sofrer
Pra você merecer
O coração que me fala
Que saudade tamanha
É a sombra do amor que levo pra cá e pra lá
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Beto Renzo
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13:57
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segunda-feira, 20 de abril de 2009
ENTÃO SOSSEGA
Sossega
A dor é lenta mas sossega
Meu coração sangrou na rodovia
Atropelado por você
Teu silêncio
Teus olhos me engolindo
Teu carinho me evitando
Até o vento parou na Anchieta
Então sossega
Sossega
A saudade é foda mas sossega
Minha boca nem mais te chama
Feito que te fazes de surda
Pro perdão
Pro calor que eu tenho
Pro abraço que ofereço
Mas que morre já quando imagino
Então sossega
Sossega
De manhã os olhos reclamam
Molhando as mangas da camisa
Puxei bem fundo
O ar
O sono que não tive
O mundo que me esquece
O desconforto tomou teu lugar na cama
Então sossega
Nem a casa nem a grana
Nem um capricho meu
Por que inventa tantas estradas entre a gente
Se meu corpo é viciado no teu?
A conta que se levanta
Pra repartir em dois
Em mil
Em mil
Amor
Amor
Que se dane o tempo... Você vai saber
Eu só quero a tua alma colada à minha
Mas hoje nem é ainda o dia
Da nossa imensa euforia
Então sossega enquanto eu digo adeus
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Beto Renzo
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14:10
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segunda-feira, 13 de abril de 2009
FICA QUIETA
O controle atende à sua mão
Meio sono
Meia luz
Televisão
Meia boca
Na meia luz a solidão
Desfila o olhar nas coisas da casa
O silêncio até tem o gosto da canção
Meio solto
Meio longe
Furacão
Meio tonta
Na boca espreme meu nome em vão
Fica quieta
Quando acordo teu coração
Teima quieta
Quando acordo no teu coração
Ajeita a alma em teu corpo
O travesseiro atende à sua mão
Meio turvo
Meio muda
Televisão
Meia boca
E na boca a minha visão
Fica quieta
Quando acordo teu coração
Teima quieta
Quando acordo no teu coração
Fica quieta
Mesmo quando finge que não
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Beto Renzo
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15:19
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sexta-feira, 3 de abril de 2009
DIZ VOCÊ
É tão engraçado saltar entre as pedras
Um arranhão a mais
Um desperdício a menos
O que você sabe mesmo
É que o espinho algumas vezes pinta as unhas de vermelho
Posso rir então
O que é que tem?
Posso rir pois eu já chorei
Agora de quem é a vez ?
Diz você
É tão escancarado todo esse veneno
Um sorriso ao acaso
Um dia a gente se entende
O que eu carrego mesmo
É toda a cor do silêncio calmo que a dor não agüenta
Pode ser então
O que é que tem?
Pode ser o tempo errado
Afinal o que é querer bem?
Diz você
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Beto Renzo
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19:10
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terça-feira, 31 de março de 2009
CARTÃO POSTAL
Essa gente espanta em olhar
Essa gente observa pela fresta de verdade
Diz
_É que já vai chover e a gente não quer se molhar
Eu sei, eu sei
Nem é a primeira vez
Nem é a última
Nem é desta vez
Será que eu ligo mesmo quando será?
Pra onde vai que flutua tanto?
Essa gente estampa o medo
Essa gente amarra os pés à calçada do bairro
Diz
_É que já vai chover e a gente não sabe despencar
Eu sei, eu sei
Nem é a primeira vez
Nem é a sua
É a minha vez
Olha lá como eu caio do céu bem devagar
Olha como dói tão devagar
Feito um veneno que tenho que tossir aos poucos
Até sair tudo
Pra onde vai que se afasta tanto?
Essa gente cala pra esperar
Essa gente nem tem pernas pra chegar
Diz
_É que já vai chover e a gente não quer incomodar
Eu sei, eu sei
Essa gente espera
Diz
_Mande um postal de lá! Mande um postal de lá!
_A gente quer saber como é se molhar
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Beto Renzo
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00:04
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