quinta-feira, 25 de novembro de 2010

HOJE EU TE PERDOO


Ah rapaz
O que faz enquanto passeia por aí?
Por onde anda quando tem que esquecer que da tua vida eu saí?

Faz tua casa esses lugares
Calçadas, rodas e bares
Abraços, risos e olhares que nunca te levam muito além dali

Ah rapaz
O que traz nesse peito que dói?
Por que não tomba aos convites que te faço quando a noite já foi?

Faz tua fala esse silêncio
Um samba, um copo, teu vício
Outubro e algum artifício pra que não te vejam chorar

Ah rapaz
O que faz enquanto mastigo tua fé?
Por onde carrega meu corpo quando eu não estou com você?

Faz dessas outras um remédio
Bocas, seios e um doce assédio
Coxas, mãos e no clarear da escuridão o mesmo tédio

Vem cá
Vem cá
Hoje eu te perdoo

Olha que agora a noite já desceu daquela altura
Se sou teu mistério
Se sou tua pergunta
se sou teu veneno serei hoje também a tua cura
Vem

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

TOLICE

Ali na curva
Onde a ciranda da cabeça cantarolava
Girava tirando do meu peito com tua mão delicada mas justa
Cada passo atrás de minhas costas que hoje desenham a cama em que me deito

Ali comigo
Onde ontem do incerto eu duvidava
Tombava agora qualquer certeza que na lágrima fora forjada
E num compasso um riso novo floria de luz todo o jardim da minha mesma cara

E fique surpresa
Numa forte simplicidade exata
Neste secreto conforto eu não teria porque te esconder
Mesmo depois do teu murro na boca do estômago dos meus sonhos
Eu sou ainda capaz de dizer-te: Te amo... mesmo que tua tolice queira te levar embora.

sábado, 18 de setembro de 2010

QUE SEJA

É tão perto e tão secreto
No tempo chuvoso
No quieto do quarto
O relâmpago
Deus dizendo meu nome
Falando comigo
Contando o que eu guardo
E que não te confesso
Mas é sempre o teu rebelde juízo
O cabelo, a voz, a boca num arco
Teu sorriso

É tão perto e tão secreto
Na manhã absurda
Na lágrima catapulta
A vigília
O barulho do sol subindo
Falando comigo
Cobrando o que eu não digo
E que não te confesso
Mas é sempre o gozo de tua mão
Os olhos, as ancas, as sardas
Teu coração

É tão perto e tão secreto
Na tarde que boceja
No céu que amarela
O crepúsculo
O céu perdido comigo
Falando pra mim
Lembrando o que eu não esqueço
E que não te confesso
Mas é sempre teu doce deserto
O colo, o peito, o quero
Teu busto

É tão perto e tão secreto
Na lua pendurada
A amiga madrugada
A cachaça
Deus me puxando do tombo
Falando comigo
Cuidando do que eu vivo
E que não te confesso
Mas é sempre o que minha alma vê
Um nome, o nome, o nome
Você

Palavra desafogada da minha solidão
Que seja amor então

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

ENQUANTO ISSO


Mesmo que pareça sem jeito
Mesmo que padeça aquele nosso tempo numa memória amarelada
Esse desejo sem explicação
Essa peito na contra-mão da lógica ditada
A voz acanhada
O amor espremido em nossas gargantas terá sua hora de voar
Terá sua vez de arrombar todo o coração

Mesmo que a chave se perca
Mesmo que suave seja a prisão onde a gente despenca da gente
Essa única graça
Esse fenômeno que caça o sono nosso
O medo nosso
O amor marginal que jogamos no fundo da vida terá justiça
Terá sua vez de perdoar nossas mentiras

Mesmo que pareça sem jeito
Mesmo que seja impossível nesse segundo apenas onde penso
Mesmo que a minha desculpa agora pareça vadia
Minha boca e tua
Nossos olhos colados e bom dia

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

QUANTO TEMPO

Quanto tempo
Quanto tempo

Que te guardem sempre forte
Sempre povo
Sempre imenso
Sentimento grandioso
Nosso todo poderoso

Longe do plástico conforto
Da bajulação da sala de prêmios

Tuas taças não são as que brilham em exposição
Mas a singularidade que teus filhos carregam neste nosso imenso coração

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

E PRONTO

Voltei rindo
Depois da chuva feia que tua boca soprou
Onde na estrada da vida meu coração capotou
Derrapou em tuas mentiras
Estraçalhou quem eu sou no muro dos teus olhos

Voltei rindo
Depois da seca dura que tua boca pariu
Onde no chão da vida meu coração morreu
Bebeu da tua lágrima de cicuta
Endureceu quem eu sou no solo árido dos teus olhos

Nem te condeno à semelhante absurdo
Nem dilúvio
Nem veneno
Nisso tudo
Quem sabe até um...
Não, isso não
Ainda não

Apenas quero o que já tenho
Agora ganho a estrada e já vou indo
Até que descubras por que tenho andado rindo
E pronto.

terça-feira, 20 de julho de 2010

E QUE O MUNDO ME OUÇA

Sem cadeados para os meu olhos hoje
Sem tempo para inventar minha culpa
Que seja sempre feito um começo
A janela nova
O dia novo
Novo mundo
Nova aurora
Novo planeta
Que seja sempre esse meu único possível sentimento
O universo todo o quintal de minha casa

Fracasso com a ditadura das almas
Fracasso no sermão hipócrita de quem não tem marcas
Não tem os joelhos machucados por não se arriscar fora da fria segurança
Falsa segurança dos sempre certos
Dos corações enferrujados que vivem agarrados ao peito de seus donos
Quando na verdade seriam livres se ardessem bêbados nas mãos de outra pessoa
E que o mundo me ouça
Há tempos deixei o meu nas mãos daquela moça

quarta-feira, 14 de julho de 2010

NA RUA


Na rua uma gente formigueiro a se cutucar
Queixo preso aos pés nem percebe o luar
Que eu finjo que foi presente meu pra nós
Quando você finge que está muito longe pra eu te apanhar

Na rua hora só buzina a se masturbar
Hora o silêncio a cantarolar
Todos os segredos que cada um esconde de si
Bem que podia abrir a porta e ser você a rir

Um terno amargo fedendo lorota
O pneu opaco lambendo a poça
Nossa...
Olha a casca banguela daquele estrela caída sorrindo pra nós!

O céu de nós
O véu que cerca toda a tua boca flor
Meu céu de luz
Meu copo americano
Abajur cruz do meu amor!

Na rua vento lança cega a me acertar
Olho de porta fechada para o meu olhar
Nem percebe todo meu ouro do lado direito
E eu penso que é meu defeito não querer explicar

Treme a calçada o metrô embaixo
Treme na calçada a pele descalça de algum abraço

O céu de nós
O véu que tranca todo teu corpo calor
Meu céu depois
Meu copo americano
Confessionário do meu amor!

terça-feira, 13 de julho de 2010

JOGO

Eu sempre escapo de não saber de você
Eu sempre teimo em contar tudo enquanto olho
Enquanto calo a minha boca e deixo pedaços do que sonho decorando a sala
Soprando pelo ar do mundo
Por aí
E eles sempre alcançam teus poros
Bagunçam teu colo
Tua boca gasta de tanto usar a palavra duvido

Onde eu mataria isso se isso nem sabe que um lado triste meu existe?
Onde eu viveria secreto e imune à mim mesmo?

Então eu sempre escapo de não saber de você
E você finge que escapa de mim
Até a hora de você escapar comigo

domingo, 11 de julho de 2010

FEITO VOCÊ

Sabe aquilo?
Uma euforia sem pergunta alguma
Feito quem gritou o gol em 58 sem nem ter visto o chapéu
Feito a voz que chega pelo corredor anunciando: Nasceu!

Então sou eu mais fraco por acreditar em alguém?
Então sou eu quem perde tempo por chorar a rebeldia do meu coração?
Sei

E agora sobra só a voz da tua covarde razão?
Tua alma de pés no chão
É como você se deita no seu colchão
E como você se esconde do frio se cobre teu olhos com toda essa escuridão?
Como você se esconde de mim se eu vivo correndo nu pelo teu coração?

Sabe aquilo?
Uma alegria sem vergonha alguma
Feito quem girou com os olhos cheios de riso fora dessa gente
Feito quem me lembrou que já era a hora de perder meu coração
Feito você

Mas onde você guardou você então?