Não tenho nada de especial. Nenhum dom que me faça brilhar no meio da escuridão.
Só tenho insônia. Não durmo... não me sinto confortável pra dormir no tempo de todo o mundo.
Não tenho fórmulas matemáticas para a juventude. Não tenho os segredos deste planeta... nem sei como viajar através do universo.
Sou um nômade dentro de mim mesmo. Vago de ponto a ponto da minha alma... sem a certeza de que ela me pertence... sem entender ao certo o que é a alma.
Não sei ao certo quem eu sou. Não consigo prever o futuro das pessoas.
Não sei os números da mega-sena.
Não sei cozinhar para demais pessoas.
Não sei do amor. Desse não sei mesmo.
Só sei disso...
Quando as linhas se arrumam e me arrumam.
Quando a hora esquece de mim.
Quando a vida é preto no branco... eu me alavanco e parto daqui... parto de mim... da minha estupidez... da minha mediocridade.
domingo, 22 de novembro de 2009
SINCERIDADE
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Beto Renzo
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sexta-feira, 20 de novembro de 2009
IMPRESSÃO TUA
Diz que com tua boca deixa a minha alma nua
Sabe pouco de mim se nem passeia comigo na lua
Impressão tua
Tanto caso pra isso
Teu pacote onde eu fico vai além
Eu só preciso é de alguém que me queira bem
Certo, meu bem?
Faz com tua fórmula a matemática de uma vida
Sabe pouco da minha se tem a tua tão apressada
Impressão tua
Tanta voz pra isso
Teu carimbo em meu peito doído
Eu só preciso é de um tempo aqui com meu mundo caído
E está tudo certo de novo
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Beto Renzo
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22:23
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terça-feira, 17 de novembro de 2009
ÀS COMPRAS

Atenda aos anseios à mesa
O que a velha escola te oferece como viver
Tem sido assim tua certeza
Segue adestrado com o que a tv vem dizer
Compre a mágoa da estação
Fique rindo sem entender
Passe a vida no teu cartão
É assim que gente fina tem que fazer
A alegria é invenção
Na fotografia o riso é um borrão
Satisfaça o seu egoísmo
Tudo que te faz não olhar pra si mesmo
O tempo é o juízo
Que te pega um dia quando tudo está calmo
Compre o amor num mercado
Pague a igreja e a festa
Invente o nome do pecado
De quem não faz parte da lista
O mundo é grande então
Mas é menor que a paz de um coração
E quanto ao o teu coração?
Me diz
Qual o preço à vista?
Quanto custa um sim e um não?
Qual o preço da vida fajuta?
Qual é o tamanho do teu coração?
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Beto Renzo
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18:38
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DE ALGUM LUGAR
Deita teu corpo em teu deserto particular
O encaixe dos tacos de madeira
O teto brando vigiando tuas coisas
A garrafa vazia de um dia qualquer
A sequência de números num papel
A cidade estica as costas pra se espreguiçar
A gente em choque de ver você gargalhar
Há algo que só você sabe
Há algo que só você percebe
Deita teu corpo em teu deserto azul
A calça esquecida fora do lugar
A janela vestida da luz que passa
A pílula solitária no frasco de dormir
A ave pendurada no fio de alta tensão
A cidade é só um teco do que sai de você
A vida é a dança que você quer reinventar
Há isso que te cabe
Há isso que te cabe
Toque fogo com teus olhos até a onde tua vista alcança
Toque fogo com teu peito até onde a tua alma voa
E quando for a hora de sossegar
Quando o endereço for o último daqui
O último dessa vez de passear
Vou rir de tudo isso de algum lugar
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Beto Renzo
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14:21
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domingo, 15 de novembro de 2009
LOUCA

Passei os olhos por aí pra ver esse caso acabar
Passei os olhos por aí pra recobrar o meu ar
Um começo de tarde
Um farol, um até
Um coração que arde
Na contra-mão da pouca fé
Um quintal na saudade
Um beijo na face
Um palavrão com vontade
Pra quando a dor me esquece
Tem sido tão calmo aqui na falta que você faz
Tem sido tão calmo aqui no prenúncio dessa paz
Um doce na boca
Uma asa nos pés
A vontade até rouca
De gritar sua vez
Um descaso pra isso
Um espasmo no riso
Um lugar que eu peço
Quando me encontro no gozo
E tudo
E tudo isso
Passei os olhos por aí pra me esvaziar de você
Passei os olhos por aí pra me renovar de você
Uma ressaca, um trovão!
A endorfina, o quadril
Uma ressaca, um não!
De mim o que você ainda não viu
Gosto solto na boca
Gosto solto na alma
Será o amor uma louca
Que te ferra e te salva?
Será você essa louca?
Será você essa louca?
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Beto Renzo
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18:35
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quinta-feira, 12 de novembro de 2009
IGUAL DIFERENTE
Gente subindo e descendo a rua
Gente com riso pra tudo
Gente com horror do mundo
Gente com o peito oco
Gente com a cabeça na lua
Gente calada dentro do elevador
Gente escrevendo uma carta
Gente tomando café
Gente gelada fazendo conta
Gente chorando por amor
Gente discutindo alto o futebol
Gente falando no telefone
Gente dormindo no sofá
Gente jogando na mega-sena
Gente lendo mentira no jornal
E a gente onde fica no meio disso tudo?
Onde a gente belisca o nosso próprio absurdo?
Gente descendo e subindo a rua
Gente sem riso pra nada
Gente conformada com o mundo
Gente com coração profundo
Gente que manda foguete pra lua
Gente que conta piada no elevador
Gente escrevendo um email
Gente tomando cachaça
Gente no bar perdendo a conta
Gente feliz por amor
Gente sussurrando se foi gol
Gente cara à cara pra dizer
Gente trepando no sofá
Gente pegando o metrô
Gente limpando a bunda com jornal
Gente tão igual
Tão diferente
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Beto Renzo
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16:00
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segunda-feira, 9 de novembro de 2009
BEM VESTIDA
Oi
Eu só passei aqui pra sumir
Nem tenha um presente pra mim
Nem tenha pressa em usar esse adeus guardado em teu bolso
Você até pode usar qualquer palavra do teu cardápio
Quando o silêncio te visitar mais rápido
A poltrona da sala terá um calafrio só de lembrar da zona que eu fiz
Oi
Eu só passei aqui pra sumir
Nem tenha perguntas pra mim
Nem tenha uma frase pronta pra consertar o racho em meu coração
Você sabe pouco das esquinas do teu ouvido
Quando o silêncio te revistar sem pudor
O desenho dos teus olhos vai ficar de mal humor
Mas por aí a gente se vê
É mesmo estranho assim
Na boca o não
Na alma um estrondoso sim
Você até fica despida das tuas roupas
Mas nunca fica pelada de mim
Oi
Eu só passei pra sumir
Tenha essa lágrima esperando por mim
Tenha esses tapas esperando pra descansar no meu peito
Você até pode vestir o teu vestido de esquecer
Mas é que aqui sou eu, meu Bem
Aqui sou eu, meu Bem
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Beto Renzo
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É PRA DEPOIS
O que há pra dizer?
O que há pra guardar?
O que há pra sonhar de nós dois?
O abraço é pra depois
A saudade é pra agora
Ficou pra lá
O que é um segundo?
O que é o mundo?
O que é uma vida pra consertar um engano?
Segura que a ladeira é funda
Mas tem algo aí
A gente espera aquela a porta se abrir
E o outro surgir trazendo sol
Lua e carnaval
Isso é pra depois
Isso é pra depois
Ficou pra lá
Que palavra vamos usar?
Que mistura vamos fazer?
Que lugar vamos guardar pra quando a gente envelhecer?
Solta que a alma vai embora nós achar por aí
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Beto Renzo
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sexta-feira, 23 de outubro de 2009
NAQUELE DIA AQUELA NOITE

Naquele dia quando passou
Rasgou a couraça de aço que trancava a voz
Sem usar de força
De músculo qualquer
Oras menina com seus segredos
Noutras poucas mulher com seus anseios
A endorfina louca flutuando nas veias
E o corpo divorciado de seu peso
Beliscaram-se os sérios
Quando viram que do fundo da noite andarilha
Brotavam vagabundas idéias
Tão lindas que a lua ascendia com seu riso de ponta-cabeça
Derramava seu brilho sobre a gente
Aquela noite os tristes de tão adultos se esconderam em suas igrejas
Enquanto as crianças riam
Esticando os braços
E a lua pescava uma a uma
E em pouco tempo deram cria as estrelas do céu
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Beto Renzo
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18:46
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segunda-feira, 19 de outubro de 2009
FABRIZIA
Que aquele tempo passou
Que a nossa voz ecoou naquele quarteirão
O bairro todo uma nação
De meninos e meninas esparramados pelo chão
Que aquele recreio acabou
Que tivemos receio de rabiscar um desenho
No espelho um estranho
Que mantinha no rosto o mesmo olhar castanho
Um amor sem carne
Só a alma feito uma escada
A vontade de brincar juntos a vida toda
Que a tarde ficou veloz
Que a noite ganhou luz sem ter estrelas
Na tv cresceram as telas
E a imaginação deu lugar às certezas tolas
Que depois a gente cresceu
Que a gente se esqueceu pela vida afora
O mundo inchou lá fora
E o bairro se esconde num fundo do peito agora
Um amor sem dor
Sem corpos a se pegar
E a gente pescando pipas pelo ar
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Beto Renzo
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23:55
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