Não passe a tempo de me guardar da chuva enquanto sol
Do frio enquanto calor
Do jeito falso indiferente com que cruzo as pessoas na rua
Pode ser esse brilho em mim a tua assinatura?
Não passe a tempo de me salvar da solidão enquanto escola
Do silêncio enquanto música
Da chama dura que se guarda pra aquecer a tua vida
Pode ser esse brilho em mim a tua assinatura?
Não passe a tempo de me salvar do choro enquanto vida
Da saudade enquanto aceite
Do que foi a minha vida ali há pouco... ainda meu maior tesouro
Nem se preocupe com o que se ocupa em tentar me cercar
São fios de vozes caquéticos
Assombros capengas
Fantasmas farrapos de uma raiva covarde que jamais me assusta
Pra você, mesmo que reste um nunca à nossas mãos noutra hora juntas
O meu profundo Amor, meu Bem
sexta-feira, 30 de abril de 2010
ME DEIXE
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Beto Renzo
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quinta-feira, 8 de abril de 2010
NEM VEM QUE EU NEM SEI

Nem vem você
Que hoje eu nem vou me dar assim tão cego
Eu pego meus cacos e vou pra lá
O que dizer
Se o que queres resgatar de mim hoje eu nego?
Eu sigo a estrada que acaba em tua língua
Eu rio a melancolia da tua pinga
Nem vem você
Que hoje eu nem tenho uma mentira pra dizer
Fui benzer umas datas do calendário
O que perder
Se deixei tudo que é de mim em teu peito?
Eu vivo a prévia da ressaca que te espera
Eu morro a mentira que você berra
Que flor assim tão singular
Vive tanto tempo sem alguém pra vigiar?
Que dor assim tão devagar
Passa tão serena sem alguém pra consolar?
Nem vem você
Que hoje eu vou me lambuzar do teu veneno
Eu dano a lógica da canalha
O que dizer?
O que jogar fora do porão das nossas coisas?
Eu vendo caro duas sílabas semi-usadas
Eu deixo meu nome murmurando em tuas calçadas
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Beto Renzo
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21:50
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sexta-feira, 19 de março de 2010
ATÉ LÁ

Até lá ainda vai acontecer no meu rosto
Uma chuva qualquer num outono
O músculo engrenado num pranto ou num riso
A cor da saudade daquela menina
A calmaria dos sonos desordenados com o relógio do dia
Até lá ainda vai me acompanhar por aí
Uma lua que sopra o que os loucos ouvem
A doçura que falta no que os covardes escolhem
O ponto final de toda mentira
O descaso afinal que flutua acima dessa vida impostora
Até lá
Eu serei menos o que nem sou
O que nunca fui
O que nunca estou
Quando na curva de um conselho eu me abasteço de outro valor
Até lá um dia dirão tudo que eu ousei dizer
Dirão que eu morri de tanto o meu coração bater
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Beto Renzo
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02:39
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segunda-feira, 15 de março de 2010
TUDO É BOM

Não
Você não vai rolar pelas escadas do teu coração
Você não vai sempre passear de mãos dadas à essa solidão
Beber sempre esse copo de Não... não
E se o melhor foi a hora perdida?
O vagão lotado
Um desencontro na saída
O trânsito parado
O telefone mudo
O abraço absurdo que a campainha não berrou
E se o melhor foi a data esquecida?
O caminho trocado
Uma outra avenida
O celular roubado
O endereço trocado
O email apagado que alguém um dia enviou
Um dia
Que dia?
Quem diria haver tanta vontade em quatro letras unidas?
Não
Você não vai rolar pelas escadas do teu coração
Alguma hora da vida tudo é bom
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Beto Renzo
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23:01
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quarta-feira, 10 de março de 2010
O ALCOUCE DAS BRUXAS

Cantam afinadas deitadas sobre o meu peito
As bruxas que me adotam
Que me aceitam sem fantasia
Belas e gostosas
Visitam minha vida
Minha alma e minha história
Quando a cachaça doce e fluorescente
Beija a minha boca afiada mas calma
Vão elas tão lindas
Tão soltas e sábias
Sem roupa
Sem profissão
Sem cartão de crédito
Sem o carimbo medonho do falso sucesso
Me dão seus peitos fartos
Suas coxas vivas
Suas bundas certas
Seus braços aflitos
E eu aqui
Vivo e descanso
Na secreta e suculenta paz desses lábios
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Beto Renzo
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00:46
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terça-feira, 9 de março de 2010
TEM MAIS
Vou para o meu lugar
Afastado agora de você
Vencido pela tua revoada de não
Vou sair daqui
Do teu chão comportado
Subsolo da minha alegria
Aquela que te dei aquele dia
De mãos dadas
Enquanto nossas passadas venciam a multidão
Venciam as distâncias das nossas possibilidades
Vou para o meu lugar
Alto como meu coração gosta de respirar
Ar rarefeito de vozes matemáticas
De contas e anúncios da televisão
Onde eu sonho o que vivo
Pois a minha vida é a minha maior invenção
Tem mais de nós por aí
Tem mais de mim em você do que só o espaço que eu ocupava naquele colchão
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Beto Renzo
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segunda-feira, 1 de março de 2010
PERCEPÇÃO

Hoje desapareci dos espelhos
Dos olhos e das vitrines
O vento não me achou
A chuva não me molhou
O sol... onde mesmo eu fui deixar
Quem é esse que vive do outro lado do meu olhar?
O lado de dentro
Quem é esse que não consigo medir com as réguas de que se valem toda a canalha?
Esse que quando vai eu sigo
Esse que quando dói eu choro
Que quando cai eu me machuco
Que quando ama eu flutuo sobre esse mesmo mundo anunciando que meu coração já tirou o sol do castigo
E hoje ele já vai brincar fora de casa
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Beto Renzo
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23:02
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E SE

E se fosse loucura?
Isso aqui
Bem aqui comigo
Levitando meu corpo ao redor do mundo
Tornando o meu peito um lugar distante
Brilhante e fundo
E se fosse loucura deixar assim ir embora?
Sem espernear
Sem berrar
Tão triste e tão calmo
E se fosse loucura eu teria o seu perdão
Mas é amor
E amor você não perdoa
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Beto Renzo
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22:53
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domingo, 28 de fevereiro de 2010
SONHO NOVO

Hoje e só por hoje
Aposento você de mim
Do quarto íntimo da minha alma
Apago teu nome das cartas
Das horas sem sono
Desarmo tuas vigarices de orgulho
Entendo que te falta o alívio do perdão
Esse teu medo de entender que sou o dono do teu coração
Que parta agora o meu olhar
Longe e sem dona
Sem memória
Sem a história
Os papéis rasgados feito meu peito
Os segundos inchados feito meus olhos
Hoje
Amanhã eu reservo de você um sonho novo
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Beto Renzo
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21:44
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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
CANÇÃO DE NINAR DO PEITO OCO

Vá
Como alguém que caminha pelo ar
Tendo o telhado como o asfalto
E o céu como o teto do quarto
Será que sabe o que vai acontecer?
Será que sabe o que temos que perder pra ganhar o próprio coração?
Deixo o pedaço melhor do meu só pra você
Na vitrola que você não pôde ouvir
No sol da tarde de mil novecentos e oitenta e oito
O que procura em meu bolso?
Procure nos meus olhos
Vá
Como quem desvia de um olhar
Fazendo uma piada à mesa dos amigos
E guardando a lágrima pra hora de dormir
Será que me viu desgrudar as calçadas?
Será que me viu rabiscar uma casa com o tijolo que sobrava no quintal?
Abro mão do meu coração e te dou
Pra que preencha esse oco no seu peito
Pra que ele bata por nós dois... por mais um tempo
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Beto Renzo
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12:13
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