Sossega
A dor é lenta mas sossega
Meu coração sangrou na rodovia
Atropelado por você
Teu silêncio
Teus olhos me engolindo
Teu carinho me evitando
Até o vento parou na Anchieta
Então sossega
Sossega
A saudade é foda mas sossega
Minha boca nem mais te chama
Feito que te fazes de surda
Pro perdão
Pro calor que eu tenho
Pro abraço que ofereço
Mas que morre já quando imagino
Então sossega
Sossega
De manhã os olhos reclamam
Molhando as mangas da camisa
Puxei bem fundo
O ar
O sono que não tive
O mundo que me esquece
O desconforto tomou teu lugar na cama
Então sossega
Nem a casa nem a grana
Nem um capricho meu
Por que inventa tantas estradas entre a gente
Se meu corpo é viciado no teu?
A conta que se levanta
Pra repartir em dois
Em mil
Em mil
Amor
Amor
Que se dane o tempo... Você vai saber
Eu só quero a tua alma colada à minha
Mas hoje nem é ainda o dia
Da nossa imensa euforia
Então sossega enquanto eu digo adeus
segunda-feira, 20 de abril de 2009
ENTÃO SOSSEGA
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Beto Renzo
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segunda-feira, 13 de abril de 2009
FICA QUIETA
O controle atende à sua mão
Meio sono
Meia luz
Televisão
Meia boca
Na meia luz a solidão
Desfila o olhar nas coisas da casa
O silêncio até tem o gosto da canção
Meio solto
Meio longe
Furacão
Meio tonta
Na boca espreme meu nome em vão
Fica quieta
Quando acordo teu coração
Teima quieta
Quando acordo no teu coração
Ajeita a alma em teu corpo
O travesseiro atende à sua mão
Meio turvo
Meio muda
Televisão
Meia boca
E na boca a minha visão
Fica quieta
Quando acordo teu coração
Teima quieta
Quando acordo no teu coração
Fica quieta
Mesmo quando finge que não
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Beto Renzo
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15:19
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sexta-feira, 3 de abril de 2009
DIZ VOCÊ
É tão engraçado saltar entre as pedras
Um arranhão a mais
Um desperdício a menos
O que você sabe mesmo
É que o espinho algumas vezes pinta as unhas de vermelho
Posso rir então
O que é que tem?
Posso rir pois eu já chorei
Agora de quem é a vez ?
Diz você
É tão escancarado todo esse veneno
Um sorriso ao acaso
Um dia a gente se entende
O que eu carrego mesmo
É toda a cor do silêncio calmo que a dor não agüenta
Pode ser então
O que é que tem?
Pode ser o tempo errado
Afinal o que é querer bem?
Diz você
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Beto Renzo
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19:10
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terça-feira, 31 de março de 2009
CARTÃO POSTAL
Essa gente espanta em olhar
Essa gente observa pela fresta de verdade
Diz
_É que já vai chover e a gente não quer se molhar
Eu sei, eu sei
Nem é a primeira vez
Nem é a última
Nem é desta vez
Será que eu ligo mesmo quando será?
Pra onde vai que flutua tanto?
Essa gente estampa o medo
Essa gente amarra os pés à calçada do bairro
Diz
_É que já vai chover e a gente não sabe despencar
Eu sei, eu sei
Nem é a primeira vez
Nem é a sua
É a minha vez
Olha lá como eu caio do céu bem devagar
Olha como dói tão devagar
Feito um veneno que tenho que tossir aos poucos
Até sair tudo
Pra onde vai que se afasta tanto?
Essa gente cala pra esperar
Essa gente nem tem pernas pra chegar
Diz
_É que já vai chover e a gente não quer incomodar
Eu sei, eu sei
Essa gente espera
Diz
_Mande um postal de lá! Mande um postal de lá!
_A gente quer saber como é se molhar
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Beto Renzo
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segunda-feira, 30 de março de 2009
SALTO ALTO
Uma chuva e a tua sala
A solidão esfarelada e úmida da qual tenta se proteger
Mas é onde estou
Posso até passar por desafortunado para você
A lua e teu secreto quintal
Onde fui eu quem te ensinou a passear
Pra chorar às vezes algo bom
E quando a música quebrar
Quando a música quebrar o teu salto alto
É que estou por aí
E você quer saber
Posso até passar por um melancólico sem razão
Uma noite e a tua casa
A solidão cheia de fome batendo à sua porta
Pra onde você vai correr?
E quando a música tirar
Quando a música tirar o teu salto alto
É que estou por aí
E você quer saber de mim
Uma chuva
Tua casa
A lua e teu secreto quintal
Esta noite e a tua casa
Pra onde nós vamos correr?
Então até parece que eu esqueci você
Uma manhã e o teu rosto
O tempo doído em fila depois da pílula anestésica
Mas a música está aqui
E é onde estou
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Beto Renzo
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quinta-feira, 26 de março de 2009
O MERCADO DO AMOR
Isso é cruel
As regras
A lista de deveres
As mentiras que temos de ter anotadas
Pois qualquer sentimento verdadeiro pode apagá-las
Revelar a sua natureza vazia
Seu gosto de isopor
Qual é o termômetro do seu coração?
Sexo
Comodidade ou outra ilusão?
Isso é cruel
As metas
A lida sem paixão
A vaidade que compramos no plano da televisão
Qual é o preço do seu coração?
O vestido
O anel e outra ilusão?
Como então eu fico com o teu coração
Se em troca eu só posso te dar o meu?
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Beto Renzo
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17:38
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segunda-feira, 23 de março de 2009
MEU CONFORTO
Um reflexo do meu coração
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Beto Renzo
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quarta-feira, 18 de março de 2009
NÃO ME AME
Não me ame nem pense em me amar
Eu não valho a pena
Eu não valho o dilema de comigo se ocupar
E ver desmoronar a plástica verdade das cortinas de seda
Ver morrer o sentido do mármore na varanda da casa
A inutilidade dos vastos quartos
Das caras salas vazias
Da prataria lacrada
Da fonte onde ninguém se esbalda
Pois o que te cerca é o que pra mim te torna menor
E menor
Do que a verdadeira imensidão do que é o amor
Guarde a palavra que agora tenho que usar
Não me ame nem tente me amar
Eu não valho isso
Eu não valho a contramão do que acreditas
E o saber que a qualidade da etiqueta é ouro de tolo
Saber da também tolice no mais puro tostão de outro
Da imundice moral do restaurante caro
Dos canalhas bem vestidos
Do jornal mentiroso
Da tristeza travestida de riso na fotografia
Pois o que colecionas é pra mim o que te faz miúda
E miúda
Frente à verdadeira generosidade do que é o amor
Guarde a verdade que agora tenho que usar
Não me ame nem diga me amar
O amor não é isso no seu bolso que você tenta me dar
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Beto Renzo
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14:09
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A LUZ DO TEU QUARTO
A tua distância não merece meu crédito
É um atalho
Um refúgio na poltrona da vida mofada
A tolerável monotonia
Eu peguei um resfriado
Eu passeei pelo bairro enquanto chovia
A rua estava vazia
E dentro de mim
Você se recolhia às suas frases cromadas
A tua distância não merece meu crédito
É um atalho
É um bilhete perdido no armário
A covarde monotonia
Aí onde você está
Nem calor
Nem frio no estômago
Nem o corpo a tremular frente ao tato do outro
Aí onde você está
A luz do teu quarto tem hora marcada pra se apagar
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Beto Renzo
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14:07
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domingo, 8 de fevereiro de 2009
ESTRAGO
A chuva caindo agora
A chuva traz tanta paz depois que se chora
É como sentir um carinho no rosto
Um cafuné
Aquele abraço que flutua na ciranda do tempo
O cheiro
Esse é mesmo o maior pedaço meu
A assinatura que ficará cravada
Invisível
Na lápide desta minha vida
O veneno que é também alimento
A prisão que é um planeta imenso
Essa minha solidão que é uma multidão dentro do meu peito
Do lado de fora de mim
Aqui pra você
Eu faço tudo errado
Eu estrago os jardins pomposos
Estrago os prédios restritos
As empresas sérias
A televisão
A área vip
Eu estrago tudo com estes meus olhos
Eu não gosto de mentira
Eu choro e você me acha triste
Mas é só porque não faço do conformismo a desculpa pra ficar em cima do muro
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Beto Renzo
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21:49
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